04/05/2021 às 10h59min - Atualizada em 04/05/2021 às 10h59min

Ex-ministros Mandetta e Teich abrem nesta terça agenda de depoimentos da CPI da Covid

Ex-ministros depõem na condição de testemunhas, o que os obriga a assumir o compromisso de falar a verdade. Eles devem ser questionados sobre testes e uso de remédios ineficazes.

- gazeta.redacao@yahoo.com.br
G1
Divulgação
CPI da Covid abre nesta terça-feira (4) a agenda de convocações, com os depoimentos de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, os dois primeiros ministros da Saúde do governo de Jair Bolsonaro. Eles serão ouvidos na condição de testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho.
 
Primeiro titular da Saúde do governo, Mandetta esteve à frente da pasta entre janeiro de 2019 e abril de 2020. Já Teich, seu sucessor, comandou o Ministério da Saúde por menos de um mês, entre 17 de abril e 15 de maio do ano passado. Ambos deixaram o cargo após divergências com o presidente Jair Bolsonaro relativo às políticas de contenção do coronavírus.
 
O depoimento de Mandetta está previsto para as 10h, e o de Teich, para as 14h.
 
As convocações de Mandetta e Teich foram 
aprovadas na semana passada, assim como a do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a do antecessor dele, Eduardo Pazuello.

Queiroga e Pazuello serão ouvidos ainda nesta semana, assim como o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Antonio Barra Torres.

 
A audiência de Mandetta está prevista para começar às 10h. O ex-ministro foi demitido em abril de 2020, após ele e o presidente da República terem discordado sobre medidas de controle da doença, como a necessidade do isolamento social.
Bolsonaro e Mandetta 
também divergiram sobre a adoção da cloroquina. Enquanto o presidente era um entusiasta do medicamento, comprovadamente ineficaz contra a Covid
, o então ministro alertava que não havia estudos científicos sobre o tema.
 

“Como é notório, o presidente da República sempre trabalhou contra quaisquer medidas de isolamento e de combate à doença e propaga, desde o início da pandemia, remédios e tratamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid e cujo uso indiscriminado representa sérios riscos. Portanto, o senhor Luiz Henrique Mandetta foi exonerado do cargo de ministro da Saúde justamente por defender as medidas de combate à doença recomendadas pela ciência”, afirmou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede - AP).

 

Testagem

 
Assim como Mandetta, o ex-ministro Nelson Teich também deve ser questionado sobre a recomendação de cloroquina aos pacientes infectados com a Covid-19.
Teich deixou a pasta três dias após ter feito um alerta, em sua rede social, sobre riscos de efeito colateral da cloroquina no tratamento da doença.
Teich ainda deve ser alvo de questionamento sobre um amplo programa de testes que ele anunciou tão logo assumiu a pasta. A proposta, porém, acabou sendo logo abandonada.
“Temos de perguntar ao ministro Teich sobre o tema da testagem. Ele chegou a apresentar uma proposta, mas ela não teve desdobramento. Qual o motivo disso?”, afirma o senador Humberto Costa (PT-PE).
 

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