11/02/2022 às 15h40min - Atualizada em 11/02/2022 às 15h40min

Olimpíadas de Inverno: doping de patinadora russa de 15 anos é confirmado

Entidade antidopagem russa, no entanto, retirou suspensão preventiva da atleta, a patinadora Kamila Valieva. COI vai recorrer da decisão, que pode custar medalha de ouro do Comitê Olímpico Russo

- gazeta.redacao@yahoo.com.br
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Após dias de especulação, a Agência Internacional de Testagem (ITA, na sigla em inglês) confirmou na madrugada desta sexta-feira que a patinadora russa Kamila Valieva, de 15 anos, teve um resultado positivo em exame antidoping antes das Olimpíadas de Inverno Pequim 2022. Contudo, a Agência Antidoping da Rússia (RUSADA) retirou a suspensão preventiva da atleta. A ITA, em nome do Comitê Olímpico Internacional (COI), vai recorrer no Conselho Arbitral do Esporte (CAS) contra a decisão.

Valieva testou positivo em 25 de dezembro, em teste feito durante o Campeonato Russo de Patinação Artística. A contraprova feita com a mesma amostra, em 8 de fevereiro, também deu positivo. A agência confirmou que a substância era trimetazidina, medicamento que é usado para tratar angina e outros problemas cardiovasculares. Depois do resultado do dia 8, a agência russa decidiu suspender Valieva provisoriamente, mas voltou atrás depois de uma apelação da atleta. Isso permitiu a Valieva treinar em Pequim.

Se a apelação for acolhida pelo CAS, Kamila e a equipe do Comitê Olímpico Russo (ROC) podem perder a medalha de ouro conquistada na disputa por equipes, no dia 7 de fevereiro, véspera do resultado final do exame. A decisão deve ser tomada até o dia 15, quando Valieva volta a competir.

Confira o comunicado oficial emitido pela ITA na íntegra abaixo:

"Primeiro, a ITA frisa que a Srta. Kamila Valieva, membro da delegação do Comitê Olímpico Russo (ROC) em Pequim, é menor de idade e, portanto, uma "Pessoa Protegida" sob o Código Mundial Antidoping - esse status se aplica a pessoas abaixo da idade de 16. Por isso, as partes não são sujeitas a divulgação pública obrigatória de seu nome ou de qualquer caso em que possa estar envolvida, e qualquer divulgação pública deve ser proporcional aos fatos e circunstâncias do caso. Vendo que alguns na mídia não garantiram a ela a mesma proteção, e reportaram amplamente baseados em informações não oficiais após o adiamento da cerimônia de medalhas do evento de patinação artística por equipes nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, a ITA reconhece a necessidade de informação oficial devido ao interesse público ampliado.

Para declarar os fatos cronologicamente, uma amostra da atleta foi coletada sob a autoridade de testagens e de gerenciamento de resultados da Agência Antidoping Russa (RUSADA) em 25 de dezembro de 2021, durante o Campeonato Russo de Patinação Artística em São Petersburgo, Rússia. O laboratório credenciado pela WADA em Estocolmo, Suécia, reportou que a amostra retornou um resultado analítico adverso para a substância proibida não especificada trimetazidina (classificada como S4. Moduladores Metabólicos e Hormonais de acordo com a Lista Proibida do Código Mundial Antidoping) em 8 de fevereiro de 2022. Depois disso, a atleta foi suspensa preventivamente pela RUSADA com efeito imediato.

Nos termos do Artigo 15 das Regras Antidoping do COI aplicáveis aos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, a decisão da RUSADA de impor uma suspensão preventiva automaticamente proíbe a atleta de participar de todos os esportes durante a suspensão preventiva, incluindo os Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022.

Já que a amostra foi coletada pela RUSADA antes dos Jogos de Inverno, este caso não está sob a jurisdição do COI e, portanto, não é gerenciado diretamente pela ITA. Em acordo com as Regras Antidoping do COI, a ITA imediatamente informou à atleta que a suspensão preventiva imposta pela RUSADA é vinculativa ao COI e a atleta está impedida de competir, treinar, orientar ou participar em qualquer atividade durante os Jogos Olímpicos de Inverno.

Devido ao fato de este não ser um caso sob a autoridade do COI e levando em conta seu status mencionado acima como "Pessoa Protegida", a ITA se absteve de de divulgar publicamente o caso seguindo a notificação para proteger a identidade da atleta como uma menor e para garantir que todas as medidas necessárias para sua segurança física e mental pudessem ser implementadas. Tudo enquando os devidos processos legais eram iniciados.

A atleta apelou a imposição da suspensão preventiva ante o Comitê Disciplinar Antidoping da RUSADA em 9 de fevereiro de 2022 e uma audiência aconteceu no mesmo dia. Na noite de 9 de fevereiro de 2022, o Comitê Disciplinar Antidoping da RUSADA decidiu retirar a suspensão preventiva da atleta, assim permitindo que ela continuasse sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022. A decisão fundamentada, incluindo as bases para a retirada da suspensão preventiva, serão divulgadas em breve a todas as partes implicadas.

Sob o Código Mundial Antidoping, a Agência Mundial Antidoping (WADA), a União Internacional de Patinação (ISU), RUSADA e o COI têm o direito de apelar a decisão de retirar a suspensão preventiva ante o Conselho Arbitral do Esporte (CAS). O COI vai exercer seu direito de apelar e não esperar a decisão fundamentada da RUSADA, porque uma decisão é necessária antes da próxima competição de que a atleta deve participar (patinação individual feminina, em 15 de fevereiro de 2022).


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